Um número que esconde vários
Cada linha de faturação cloud parece dizer algo simples: este recurso custou tanto. Mas esse montante é o resultado de várias peças que se multiplicam, se descontam e se repartem no tempo. Se forem somadas sem as perceber, a análise sai errada, mesmo que a soma esteja certa.
As peças
Utilização (quantidade). Quanto se consumiu: horas de computação, gigabytes armazenados, milhões de pedidos, gigabytes transferidos. Cada serviço mede na sua unidade.
Tarifa (preço unitário). Quanto custa cada unidade. Varia por região, por tipo de recurso e por modalidade (a pedido, capacidade interrompível, capacidade reservada).
Descontos. Reduções negociadas, descontos por volume ou créditos promocionais. Reduzem o montante, mas nem sempre aparecem na mesma linha que a utilização que descontam.
Compromissos. Planos de poupança ou reservas: paga-se antecipadamente (ou promete-se um consumo mínimo) em troca de uma tarifa melhor. Geram dois tipos de linha: a compra do compromisso e a utilização que o consome.
Outros encargos. Impostos, suporte, ajustes e reembolsos. Não correspondem a consumo de recursos, mas estão na mesma fatura.
Três custos diferentes para a mesma linha
Por isso, um mesmo consumo pode ter três valores, e os três estão corretos consoante a pergunta:
- Custo de tabela: o que teria custado ao preço público, sem qualquer desconto. Serve para medir quanto poupam os descontos.
- Custo faturado: o que aparece na fatura do período. Serve para conciliar com as finanças.
- Custo efetivo: o custo real do consumo, com os descontos aplicados e os compromissos amortizados, ou seja, repartidos pelos recursos e períodos que os aproveitaram. Serve para atribuir custo a equipas e produtos.
O erro mais comum está em misturar estas leituras. Se se atribuir com o custo faturado, a equipa que comprou uma reserva anual carrega todo o pagamento num mês e as outras aparecem como gratuitas. Se se conciliar com o custo efetivo, a soma não coincide com a fatura. Cada pergunta tem o seu custo.
O que é preciso saber antes de analisar
- Que coluna de custo se está a usar, e porquê.
- Que tipo de encargo é cada linha: utilização, compra, imposto, crédito ou ajuste. Somar tudo junto mistura consumo com contabilidade.
- Como se repartem os compromissos e os descontos que não vão na linha da utilização.
Os fornecedores descrevem estas peças de forma diferente. É aí que entra uma norma comum, que é o tema do próximo artigo.
Como o aplicamos: Engenharia FinOps.