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Anatomia de um dado de custo

Uma linha da fatura cloud parece um número. Na realidade, combina utilização, tarifa, descontos e compromissos. Perceber essas peças é o primeiro passo para não tirar conclusões erradas.

Linha de serviço Engenharia FinOps

Um número que esconde vários

Cada linha de faturação cloud parece dizer algo simples: este recurso custou tanto. Mas esse montante é o resultado de várias peças que se multiplicam, se descontam e se repartem no tempo. Se forem somadas sem as perceber, a análise sai errada, mesmo que a soma esteja certa.

As peças

Utilização (quantidade). Quanto se consumiu: horas de computação, gigabytes armazenados, milhões de pedidos, gigabytes transferidos. Cada serviço mede na sua unidade.

Tarifa (preço unitário). Quanto custa cada unidade. Varia por região, por tipo de recurso e por modalidade (a pedido, capacidade interrompível, capacidade reservada).

Descontos. Reduções negociadas, descontos por volume ou créditos promocionais. Reduzem o montante, mas nem sempre aparecem na mesma linha que a utilização que descontam.

Compromissos. Planos de poupança ou reservas: paga-se antecipadamente (ou promete-se um consumo mínimo) em troca de uma tarifa melhor. Geram dois tipos de linha: a compra do compromisso e a utilização que o consome.

Outros encargos. Impostos, suporte, ajustes e reembolsos. Não correspondem a consumo de recursos, mas estão na mesma fatura.

Três custos diferentes para a mesma linha

Por isso, um mesmo consumo pode ter três valores, e os três estão corretos consoante a pergunta:

Do custo de tabela ao custo efetivoCascata ilustrativa: de 1.000 de tabela, desconto negociado, compromisso amortizado e créditos até 650 de custo efetivo; o custo faturado do mês da compra é de 1.380.FINOPS · ANATOMIA DO CUSTODo preço de tabela ao custo efetivo25050075010001000Custo detabela-120Descontonegociado-180Compromissoamortizado-50Créditos650Custoefetivo Custo faturado nesse mês: 1.380O pagamento anual do compromisso cai todo num só mês.Atribuir com este valor penaliza quem comprou e oferece aos outros.Dados ilustrativos, não correspondem a nenhum caso realN100F · n100f.com

  • Custo de tabela: o que teria custado ao preço público, sem qualquer desconto. Serve para medir quanto poupam os descontos.
  • Custo faturado: o que aparece na fatura do período. Serve para conciliar com as finanças.
  • Custo efetivo: o custo real do consumo, com os descontos aplicados e os compromissos amortizados, ou seja, repartidos pelos recursos e períodos que os aproveitaram. Serve para atribuir custo a equipas e produtos.

O erro mais comum está em misturar estas leituras. Se se atribuir com o custo faturado, a equipa que comprou uma reserva anual carrega todo o pagamento num mês e as outras aparecem como gratuitas. Se se conciliar com o custo efetivo, a soma não coincide com a fatura. Cada pergunta tem o seu custo.

O que é preciso saber antes de analisar

  1. Que coluna de custo se está a usar, e porquê.
  2. Que tipo de encargo é cada linha: utilização, compra, imposto, crédito ou ajuste. Somar tudo junto mistura consumo com contabilidade.
  3. Como se repartem os compromissos e os descontos que não vão na linha da utilização.

Os fornecedores descrevem estas peças de forma diferente. É aí que entra uma norma comum, que é o tema do próximo artigo.


Como o aplicamos: Engenharia FinOps.

Se o seu custo cloud cresce sem que ninguém saiba porquê, ou a sua arquitetura depende de quem a montou, falemos.

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