O que diz o papel e o que diz a produção
Quem herda um sistema costuma receber alguma documentação: um diagrama, umas notas, talvez um documento de desenho com anos. O que quase nunca recebe é a parte que importa: as tarefas agendadas de que ninguém se lembra, as dependências entre sistemas que não aparecem em nenhum desenho, os acessos que foram dados «temporariamente» e continuam lá.
Mudar algo sem conhecer essa parte é a forma mais rápida de provocar um incidente.
A parte submersa
O que costuma aparecer ao fazer um levantamento:
- Tarefas agendadas que movem dados ou limpam tabelas todas as noites.
- Dependências implícitas: um serviço que chama outro por um endereço escrito numa configuração.
- Acessos e credenciais sem responsável nem prazo de validade.
- Recursos órfãos que continuam a custar dinheiro.
- Configurações feitas à mão que não estão em nenhum código.
Como se faz
- Inventário a partir da fonte real, não da documentação: as APIs do fornecedor, a configuração de rede, os registos de acesso e a faturação dizem o que existe.
- Mapa de dependências: quem fala com quem, observando o tráfego e a configuração, não perguntando.
- Comparação com o documentado: cada diferença fica anotada. É a lista mais valiosa do exercício.
- Lista de bloqueios, com dimensão: o que impede mudar ou migrar cada parte, e quanto esforço implica resolvê-lo.
- Documento vivo: o resultado fica como documentação como código, para que o levantamento não tenha de ser repetido.
O que não se deve fazer durante o levantamento
Corrigir coisas. É tentador, mas cada alteração durante o levantamento mexe no terreno que se está a medir. Primeiro percebe-se tudo; depois decide-se em que mexer, por que ordem e com que risco.
Como o aplicamos: Arquitetura Cloud.