O total engana
Se o custo cloud sobe 30 % num trimestre, é mau? Depende. Se nesse tempo os clientes duplicaram, a cloud tornou-se mais eficiente. Se os clientes não mudaram, há um problema. O custo total, sozinho, não distingue entre as duas situações.
A métrica de unidade resolve isso: divide o custo por uma medida de atividade do negócio. Custo por cliente ativo, por transação processada, por encomenda, por gigabyte servido. É o número que permite dizer se a cloud cresce mais depressa ou mais devagar do que o negócio.
Como construí-la
- Escolher a unidade. Tem de estar ligada à forma como a organização ganha dinheiro e ser fácil de perceber fora da equipa técnica. Uma só, para começar.
- Medir o volume. A partir de uma fonte fiável e com a mesma granularidade temporal que o custo (normalmente diária ou mensal).
- Dividir o custo atribuído. Apenas o custo atribuído a esse produto ou serviço, não o total da organização. Por isso, a atribuição tem de estar resolvida antes.
- Rever a tendência. O valor absoluto importa menos do que a sua evolução. Uma métrica que desce enquanto o negócio cresce é o melhor sinal de eficiência.
Como escolher bem
| Boa unidade | Má unidade |
|---|---|
| Relaciona-se com a receita (clientes, encomendas, transações) | É puramente técnica (CPU, pedidos internos) |
| Percebe-se numa reunião de direção | Precisa de explicação de cada vez |
| Mede-se de forma automática e estável | Depende de uma folha que alguém atualiza à mão |
| Muda quando muda a utilização real | É constante ou arbitrária |
Erros frequentes
- Usar o custo total no numerador. Mistura produtos com economias muito diferentes e a métrica deixa de dizer alguma coisa.
- Mudar de unidade a cada trimestre. Perde-se a série histórica, que é precisamente o que lhe dá valor.
- Olhar para ela sem responsável. Uma métrica sem alguém que explique os seus movimentos torna-se um número decorativo.
Com a métrica de unidade, a conversa muda de «a cloud está cara» para «servir cada cliente custa-nos tanto, e está a descer». É a base para orçamentar com sentido, que é o passo seguinte.
Como o aplicamos: Engenharia FinOps.